
Introdução:
Negociar os direitos autorais no cenário musical e editorial é um desafio complexo, e muitos intérpretes e autores enfrentam dificuldades ao buscar o melhor negócio para suas criações. Este artigo explora 5 dos principais erros cometidos nesse processo, oferecendo insights importantes para garantir que os criadores possam obter o melhor negócio para suas carreiras.
1. Não entender o modelo de negócios e falta de pesquisa prévia:
Muitos artistas não compreendem corretamente o modelo de negócio que estão construindo e as implicações práticas para o seu dia a dia e a sua carreira. Como ficarão os direitos de propriedade (patrimoniais) sobre as suas criações? Quais as taxas de royalties? Como serão realizados os pagamentos? Quem ficará responsável pelos investimentos, seja em marketing, seja em produção? Quem fará as aprovações de participações, publicidade, merchandising? Qual a taxa de royalties/copyrights? É um acordo de cessão, licenciamento ou 360o? Existe exclusividade? Qual o prazo de regravações?
Essas definições, podem ser muito mais importantes para o bem-estar e sucesso da relação do que o número final do contrato, e podem ser a diferença entre contratos que impulsionam a carreira dos criadores, ou que as atrapalham.
2. Focar apenas no valor financeiro:
Seguindo na linha do ponto anterior, focar apenas em extrair o máximo de valor monetário nem sempre é a melhor estratégia. Para viabilizar quantias, gravadoras, editoras e distribuidoras podem necessitar adaptar modelos de negócio que nem sempre estão corretamente alinhados com os objetivos do criador.
Ter clareza sobre os objetivos centrais que se pretende alcançar e quais as prioridades em cada momento de carreira, são fundamentais para que o melhor negócio seja construído. Ter um time capaz de te ajudar a identificar essas prioridades e modelar o negócio de forma que seja sustentável para todas as partes é fundamental para construir os melhores negócios.
3. Não colocar contingências, estabelecendo Limites e Expectativas Claras:
Inícios de parceria são sempre momentos de felicidade e otimismo, quem não gosta de estourar aquele champagne depois de assinar um contrato,não é mesmo? Entretanto ao longo da parceria planos podem falhar e expectativas não serem alcançadas. Contingências podem ser negociadas tanto para reconhecer o crescimento da carreira do titular, quanto também lhe garantir fôlego e suporte quando um revés inesperado acontecer.
É fundamental para os artistas definirem claramente seus limites e expectativas desde o início. Muitos cometem o erro de não comunicar suas necessidades, ou não planejar os imprevistos, o que pode levar a descontentamentos e frustrações durante a execução da parceria, quando a realidade se desencontra do planejamento inicial.
4. Não ter um Valuation adequado:
Imagine que está comprando ou vendendo uma casa, antes de aceitar uma proposta irá querer saber por quanto os imóveis parecidos na região foram vendidos recentemente, correto? Ou ainda, ter um avaliador independente para precificar o ativo. Este é um processo natural de tentar encontrar uma expectativa de valor (Valuation) para o seu bem ou ativo. Infelizmente quando se trata de seus catálogos e carreiras, titulares de direito, por vezes não fazem este trabalho, e chegam na mesa de negociação sem noção do valor de mercado de suas músicas.
5. Ter um catálogo desorganizado:
O mercado moderno da música opera num ritmo de produção cada vez mais ágil. Os velhos tempos onde artistas lançavam um “projeto” a cada 18 ou 24 meses, se tornaram uma constante exposição de trabalhos, através de singles, EPs, feats e collabs. Essa dinamicidade faz com que por vezes, criadores que não tem um amparo para a organização de seu catalogo, por vezes, não façam o registro e coleta adequados de direitos de suas músicas, ou ainda que não controlem os pagamentos de royalties devidos por terceiros pela utilização de suas composições.
Já dizia a velha máxima, “O que não é visto não e lembrado”, a ausência de um catálogo organizado pode ocasionar que receitas importantes não sejam consideradas no processo de avaliação de risco e potencial de retorno financeiro dos acordos, reduzindo assim não só o valor das propostas, como também outros aspectos do contrato.
6. Não buscar ajuda especializada, falta de assessoria profissional:
Contratar profissionais experientes de mercado é um processo custoso, e que por vezes os titulares buscam evitar para “poupar custos”. Este é o famoso “barato que sai caro”, desde o suporte em entender seu momento de carreira e quais as melhores opções no mercado, até a prospecção dessas oportunidades e apoio negocial e documental para elas. Ter um time especialista pode evitar que você̂ se coloque em situações desalinhadas com os seus melhores interesses. Apesar, dos times artísticos de gravadoras e editoras normalmente serem bem orientados e treinados nesses modelos de negócio, e por vezes oferecerem ajuda, é importante lembrar que no final do dia, eles são funcionários dessas empresas e não parte do seu time.
A ausência de orientação profissional é um erro crítico. Muitos titulares hesitam em procurar ajuda de consultores especializados. Este tópico destaca como a assessoria especializada pode ser um investimento crucial para garantir que os criadores estejam protegidos durante o processo de negociação.
Conclusão}
Negociar os direitos autorais é uma parte essencial da carreira de qualquer interprete ou autor. Evitar esses erros comuns pode ser uma chave para garantir parcerias mais justas e benéficas. Ao adotar uma abordagem informada e assessorada, os criadores podem proteger melhor seus interesses e prosperar em suas colaborações com distribuidoras, agregadoras, editoras, gravadoras e fundos de investimento. Esteja preparado, faça a pesquisa e busque assessoria profissional. Passos simples como esses, mas ainda assim super importantes, podem fazer toda a diferença no resultado final de suas negociações.

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